Transportes Rodoviários Majoritário na matriz de Transportes

Apesar de sua dimensão continental, o Brasil, como se sabe, conta com uma matriz de transportes de cargas
majoritariamente rodoviária. O que comprova isso, com base na TKU (tonelada transportada por quilometro
útil), as participações de cada modal de transporte ficaram assim: Rodoviário 67%; Ferroviário 18%;
Aquaviário 11%; Duto viário 3% e Aéreo 0,04%.

Segundo os custos do transporte, a participação do modal rodoviário é ainda maior, alcançando 88,5% de todos
os gastos realizados com o transporte de cargas. Do total dos gastos logísticos realizados em 2014 (R$ 649
bilhões ou 11,7% do PIB brasileiro), 58,2% são com transporte, sendo o rodoviário, o maior deles (R$ 334,5
bilhões).

TABELA

(Transporte) Rodoviário = R$ 334,5 bilhões; Aquaviário = R$ 19,2 bilhões; Ferroviário = R$ 16,1 bilhões; Dutoviário = R$ 5,6 bilhões; Aéreo = R$ 2,2 bilhões. Gastos, utilizando o índice US$ / mil TKU (dólar gasto por mil toneladas transportadas por quilometro útil): Rodoviário = 126; Ferroviário = 23 e Aquaviário = 24.
O custo do TRC é menor somente quando comparado com o transporte aéreo, que chega aos US$ 867 / mil TKU.

Enquanto o Brasil tem 185,7 km de vias para cada um mil km² de área, o Japão possui 3.176 km de estradas para
esse mesmo espaço. O Brasil é um País rodoviarista, mas não “excessivamente”. Portanto, não é apenas por
uma questão de eficiência logística que 88,5% do custo total com transporte de cargas, no Brasil, são
destinados ao modal rodoviário, e sim, muito mais por falta de oferta, como alternativas mais consistentes,
concretas e duradouras, nos outros modais de deslocamento.

Transportes Rodoviários Emissão de Gases de Efeito Estufa

Segundo relatório do Ministério do Meio Ambiente(MMA),divulga do em maio de 2014 (Painel Nacional de Indicadores Ambientais do ano de 2012 PNIA/2012), a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE)vem diminuindo desde 1995(emtCO2eq: 2,615 bilhões em 1995,2,084 em 2000,2,032 em 2005 e 1,246 em 2010).

Essa queda substancial,segundo o MMA, deveu se principalmente à grande diminuição dos desmates na Amazônia,fazendo com que o GEE proveniente das mudanças no uso da terra e das florestas, tivesse uma queda de 85% nesse período, ou seja, de 1,875 bilhão tCO2eq em 1995 para 0,274 bilhão de tCO2eq em 2010.Entretanto, os demais setores (energia, processos industriais, tratamento de resíduos e agropecuária)têm aumentado suas emissões de GEE. Dentre estes, a emissão proveniente da geração de energia foi a que mais cresceu no período analisado: de 0,24 bilhão de tCO2eq em 1995, chegou a 0,399 bilhão de tCO2eq em 2010, isto é, um crescimento de 66,3%! E é neste setor (Energia) que estão inseridas as operações de transporte.

Ainda segundo os estudos feitos pelo MMA, o setor de energia emitirá, em 2020,0,98 bilhão de tCO2eq, o que quer dizer que, neste item, entre 1995 e 2020, o acréscimo ficará acima dos 308%!, através do Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários (Base2012), o setor de transportes teve aumentadas em 78,5% as emissões veiculares, entre 1992 e 2002 e, mais 100,3% entre 2002 e 2012. Em 20 anos o crescimento foi de 257,5%, fazendo com que o setor de transportes, já em 2009 representasse 56% da geração de GEE, no item Energia. Em 2020 deverá chegar a 62%!

Em outra pesquisa, agora somente sobre emissões de CO2 (dióxido de carbono) por categoria de veículos, o MMA mostra que os caminhões e os comerciais leves a diesel foram responsáveis, em 2009, por 39% das emissões no Brasi. Importante notar, como indicam as projeções do MMA e de outros organismos que analisam o tema, é que, ao invés de diminuir, essa participação aumentará, em 2020, para 41% do total.

Matriz de transporte eminentemente rodoviária e aumento substancial na geração de GEE pelo transporte rodoviário de cargas, faz com que o Brasil tenha que conviver com índices de poluição ao meio ambiente bastante significativos e custos logísticos muito altos.

Fontes: ILOS / Ministérios do Meio Ambiente / Painel Nacional de Indicadores Ambientais

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